Dona Eulália ía a passo de caracol no seu modesto carrito, um Mercedes Bem! Recolhida nos seus pensamentos, viajava pelas compras que tería que fazer no dia seguinte. O Lidl esperava-a com os seus modestos preços que lhe sorríam sempre que lá ía, e prometíam iguarias mil por uma ninharia monetária.
Apesar de ter enriquecido não vía razão para não poupar. Não ía esbanjar o dinheiro que tinha ganho de forma honesta com o seguro de vida do marido. Tinha-o empurrado escadas abaixo, mas foi no calor da paixão e da traição... Amava-o. Depois de uma das suas habituais discussões de ciumes, mas desta vez justificada por provas da existência de outra na vida do marido, ofereceu-se uma última noite de sexo tórrido de escalar paredes ao som de foguetes estrondosos que anunciam um novo começo, como é habitual na passagem de ano. De seguida, foi olhar, uma vez mais, para as revoltantes provas que denunciavam a traição do porco safado a quem tinha dedicado toda uma vida, para se encher novamente de ódio. Foi até ao topo das escadas, chamou-o até si, olhou-o nos olhos e empurrou-o rumo à morte que o pariu. Os seus pensamentos são subitamente interrompidos por um pau na vertical, grosso e castanho quase no meio da estrada. Trava a fundo e sai do carro, à sua frente está um peregrino.
- Você ía sendo atropelado! Eu não o vi! Tem noção de que foi o seu pau que o safou?! - Gritou exaltada.
Mal ela sabía o peso que estas suas palavras íam ter no seu futuro...
2 comentários:
Ansioso pelo segundo episódio e curiosíssimo sobre o peso que estas palavras irão ter no futuro de Dona EUlália!
Brutal pa! N sabia k eras tão dotada p escrever!
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