Conheci ao longe mas de perto a mulher gaivota na Galiza. Tinha um nariz igual ao das gaivotas e passava o dia com elas. Ao dar-lhes comida as gaivotas esvoaçavam em seu redor pipilantes. Vi pureza na mulher onde outros viram loucura.
Loucos são os que comem os animais em vez de deles cuidar. A mulher passa os dias na companhia das gaivotas talvez abstraida do mundo que não a quer por perto. A mão que alimenta chama-se compaixão. A mão que rouba chama-se solidão. Sozinhos estão aqueles que se esqueceram do que são e que vivem para retirar o sopro de vida dos outros. Talvez pensem que preenchem o vazio que neles habita. O mundo sorri para mim como um espelho luzidio no qual me vejo à sua imagem. Sou parte de tudo e tudo é parte de mim. Tambem consigo voar como a mulher e as gaivotas sobre o mar e achar que sou plena, plena de amor e felicidade. Habita em mim o desejo de ser melhor que o que sou. É o que me move. Dança comigo Galiza do meu coração, sente o meu peito gritar pelo teu e abraça-me até a noite cair, até que dos meus olhos caiam lágrimas de felicidade por te ver.
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